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Espiritualidade sadia
Encontro com a Vida

Todo ser humano tem a sua espiritualidade, porque todo ser humano é espiritual.

Foi assim que Deus nos fez e não importa se aceitamos ou não essa afirmação, é assim que nós somos. Agora, o modo de compreender, expressar e viver essa espiritualidade é que varia de pessoa para pessoa.

Gênesis diz que Deus nos criou à Sua imagem e conforme a Sua semelhança. Eclesiastes diz que Deus colocou a eternidade no coração dos homens. Daí que há este anseio no coração de todo ser humano, esta “sede” por algo que vá além do material, finito e passageiro.

A questão é que nem toda forma de viver e entender esta espiritualidade faz bem à vida. Na verdade, algumas vezes, faz muito mal. Porque essa forma de viver, entender e expressar esta espiritualidade pode se tornar justificativa para toda sorte de doenças que existam em nossa alma. Ela pode se tornar em um modo de dar vazão a toda uma sorte de questões que nada tem haver com ela mesma.

É aí que “espiritualidade”, muitas vezes, é a desculpa para pessoas agirem da forma mais tola, insensata, desequilibrada e doente possível. E a justificativa é sempre que “Deus falou”, que “Deus mostrou” e que “Deus revelou”. A explicação é sempre que “viu”, “sentiu”, “intuiu”, “foi revelada” e coisas do tipo. E o pior de tudo, é que, no final, Deus ainda se torna culpado pelo que sai errado, tamanho o autoengano em que as pessoas vivem.

Só que dentro da subjetividade enorme dessas afirmações cabem toda sorte de confusões da própria pessoa ou de pessoas que se julgam falar em nome de Deus como se entre elas e o Altíssimo houvesse uma conexão superior, direta, perfeita e ininterrupta.

Quando alguém fala que “Deus disse”, o que alguém pode dizer em contrário?

Será que Deus não fala com as pessoas nos dias de hoje? É claro que fala. Mas, será que a maioria daquilo que as pessoas dizem que “Deus falou”, foi Deus mesmo quem falou? E, será que a forma como tantas pessoas estão dizendo que Deus usou para se comunicar com elas é, de fato, uma forma que combina com o ensino do Evangelho de Jesus?

Eu preciso entender que é só quando eu olho para Jesus e penso sobre a sua vida que eu encontro uma espiritualidade verdadeiramente sadia e bonita.

Jesus não teve surtos de espiritualidade. Ele não teve comportamentos estranhos ou histéricos. Não havia nele ou em suas atitudes qualquer coisa que não seja a ação ou a reação mais sadia e normal dentro do momento e do contexto em que foi tomada. Até mesmo quando Ele toma o azorrague e expulsa os comerciantes e cambistas de dentro do templo, sua atitude é extremamente normal e coerente.

Daí que, em Jesus, não existe a espiritualidade de quem se julga espiritual ou de quem quer ou precisa parecer espiritual, mas, apenas aquela de quem vive Deus na vida.

Por isso, em Jesus, não existe uma aparência de espiritualidade, porque espiritualidade não se parece, se é.

Eu não posso esquecer que quando a espiritualidade e a fé são vividas de uma forma sadia, elas fazem bem ao ser. Elas trazem paz, geram atos de misericórdia, caminham com sabedoria, se calçam de bom senso, produzem bons frutos. E é assim porque elas nascem de um coração que caminha com Deus com simplicidade, verdade e serenidade.

Nós nos impressionamos muito com aquilo que vemos e ouvimos. Mas, Deus procura pessoas que queiram caminhar com Ele com um coração sincero, tranquilo e pacificado. Gente que saiba que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Pessoas que entendam que o andar com Deus é que “nele vivemos, nos movemos e existimos” e que é quando nós o reconhecemos em todos os nossos caminhos que Ele vai endireitar as nossas veredas.

Qualquer modo de expressar e viver uma espiritualidade que não enxergue estas realidades acaba se tornando em doença para ele.

O ser humano não é só o seu corpo, nem só a sua mente ou sua estrutura psicológica e nem só o seu espírito; ele é um todo.

É aí que uma visão de espiritualidade que não abrace esse todo acaba fragmentando, quebrando, partindo e dividindo ainda mais o que já está rachado, partido e quebrado dentro das pessoas.

Por isso, eu quero terminar este texto propondo algumas características de uma espiritualidade que não faz bem:

Primeira, qualquer espiritualidade que me isola da humanidade não faz bem à alma.

Na verdade, não existe espiritualidade sadia que não seja vivida em comunhão, respeito e solidariedade ao meu semelhante. Afinal, foi o próprio Jesus quem nos ensinou a amar o nosso próximo como a nós mesmos. Na verdade, Ele nos ordenou a amarmos uns aos outros do modo como Ele nos amou.

Daí que o Evangelho não nos afasta das pessoas, pelo contrário, nos aproxima delas. Ele não cria mais abismos e muros de separação; os atravessa e transpõe.

Evangelho é sinônimo de reconciliação. Em Cristo, a parede de separação que existia entre Deus e os homens e entre os próprios homens veio abaixo. A Bíblia diz que Deus fez a paz pelo sangue da cruz de Jesus.

Não só isto, mas qualquer espiritualidade que veja a realidade dividida, apenas, entre Deus e o maligno, adoece profundamente a alma.

Há muitas e muitas pessoas que veem tudo nas seguintes categorias: ou foi Deus ou foi o inimigo.

A verdade é que existe o que é divino; existe o que é maligno; mas, existe aquilo que é, simplesmente e tão somente, humano, físico, natural e terreno. Coisas da vida. Coisas que simplesmente acontecem.

Há muita gente em nossos dias falando muito mais no inimigo do que em Jesus. Há muita gente falando muito mais sobre combater o mal do que sobre fazer o bem. Mas a Bíblia diz que nós vencemos o mal com o bem.

O que eu acho impressionante é que enquanto as pessoas estão fazendo seminários e cursos para aprender a “combater o mal” de forma estratégica nas regiões celestiais, há bilhões de seres humanos no planeta sem comida, sem água, sem um sanitário para usar, sem recursos médicos e sem recursos mínimos para viver.

Agora, este é um mal sobre o qual Jesus fala que irá nos inquirir no último dia: “eu tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber; estive enfermo e não fostes ver-me…”.

Mas vai além, porque qualquer espiritualidade que alimenta e se alimenta da culpa e do medo também faz muito mal à vida.

A Bíblia nos ensina que o perfeito amor lança fora o medo e quem teme não foi aperfeiçoado no amor. Ela ensina que o escrito de dívida que nos era contrário e que constava de ordenanças foi riscado, inteiramente removido e cravado na cruz de Jesus.

A culpa e o medo só alimentam os manipuladores da alma humana. Porque não há modo mais fácil de controlar e manipular uma pessoa do que através da culpa e do medo.

É aí que o Evangelho de Jesus vem e nos liberta de ambos. Ele vem e me faz entender que Deus estava em Cristo reconciliando consigo os homens; não lhes imputando os seus pecados, e nos confiou esta palavra da reconciliação. Ele vem e diz que justificados pela fé em Jesus, temos paz com Deus.

Ainda, qualquer espiritualidade onde Deus é apenas um meio para alcançarmos algum outro fim, adoece o ser.

Porque Deus mesmo é o fim. Ele é a finalidade. Ele é a razão de ser. Ele é o motivo.

Nós fomos criados por Ele e para Ele. Daí que uma espiritualidade que faça de Deus um simples meio e recurso para alcançarmos nossos objetivos pessoais é uma espiritualidade distorcida e doente.

Também, toda espiritualidade que perde o contato com a realidade acaba se tornando doentia.

Porque a vida com Deus se vive na história dos homens. Eu sou cidadão do céu, mas eu ainda estou vivendo na terra e preciso me relacionar com ela. Jesus orou ao Pai dizendo: “não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal”.

Eu tenho a minha mente nas coisas do alto, mas eu continuo com os meus pés na terra. Eu continuo sendo humano e preciso continuar me relacionando com as realidades desta vida, de um modo normal, natural, sóbrio e sadio.

Ninguém viveu isso de um modo mais forte que o próprio Jesus. Ele era totalmente divino e totalmente humano.

Mais ainda, uma espiritualidade que não se permite viver a normalidade do ser gente e que “espiritualiza” o que é não é para ser espiritualizado só produz doenças na alma.

Basta olhar quantas pessoas que a si mesmas se consideram “espirituais” são doentes emocionalmente. Elas querem negar que são humanas. Elas não lembram que foi o próprio Deus que as fez humanas com tudo que isso envolve. Elas esqueceram que ser integralmente humano é ser quem Deus nos criou para ser. Afinal, o próprio Deus se fez Homem, o Verbo se fez carne em Jesus.

A questão é que quando as pessoas agem assim, elas se reprimem tanto, que, quando tudo que está latejando lá dentro finalmente vem à tona; vem da forma mais doente e descontrolada possível; o que não aconteceria se elas lidassem com sua humanidade de um modo natural, normal e sadio.

Por último, nenhuma espiritualidade ”em série” vai fazer bem à alma humana.

Com isso eu me refiro àquela “espiritualidade” que fabrica ”soldadinhos de chumbo” de uma ideia, de um modelo, de uma visão, de um movimento ou de uma instituição. Ou, então, aquela “espiritualidade” empresarial, onde o que importa é cumprir metas, atingir alvos, obter resultados e mostrar sucesso.

Isso faz muito mal à alma da gente.

Só que quando nós lemos os Evangelhos, nós podemos ver que o andar com Jesus é extremamente livre, verdadeiro e simples. Livre como o vento que sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem e nem para onde vai. Jesus disse que assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

Livre. Autêntico. Espontâneo. Simples. Leve.

Daí que a espiritualidade para ser sadia, precisa ter Jesus como modelo, guia e alvo. Ela precisa se espelhar somente nele. Precisa parecer com Ele. Porque Ele é o objetivo de tudo. E, para falar a verdade, ninguém foi mais sadio do que Ele. Ninguém nem mesmo foi tão sadio como Ele.

Ele é o nosso Mestre e nós somos Seus discípulos. Ele é o nosso Senhor e nós somos os Seus servos.

Uma espiritualidade sadia faz bem à alma e enriquece a vida com valores mais belos. Torna o coração mais misericordioso e solidário, enche a vida com mais significado, abre os olhos para aquilo que não se via antes, ilumina o caminho, reconcilia com Deus, faz com que a gente enxergue a humanidade, liberta das culpas e transborda o bem para os outros.

Que Deus nos ajude a viver uma espiritualidade mais sadia, bonita, misericordiosa, prática, autêntica e semelhante a Jesus.

Paulo Cardoso

 

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